Campeonato Paulista Feminino: análise estatística do 1º. Turno

 

Dante De Rose Junior

Alexandre Barros Gaspar

Rafael Marcos de Assumpção

 

            Ao término do primeiro turno do Campeonato Paulista Feminino de 2003 podemos realizar algumas análises preliminares, com base nas estatísticas de jogo, a fim de oferecer ao técnicos das equipes e interessados algumas informações básicas que sirvam de parâmetro para considerações mais aprofundadas.

            No primeiro turno deste campeonato repete-se uma tendência observada no campeonato de 2002, ou seja: não há uma evidente predominância dos mandantes sobre os visitantes em termos de vitórias, ou mesmo em relação aos indicadores de jogo.

            Dos 15 jogos realizados, as equipes mandantes venceram 8 confrontos, contra 7 dos visitantes, mostrando que o fator “ casa”, não tem iterferido significativamente no resultado dos jogos, ao contrário de inúmeros trabalhos que mostram os mandantes com cerca de 67% de vitórias (especialmente no masculino). Este fato pode estar ocorrendo devido a um desequilíbrio marcante entre as equipes (o que será comprovado posteriormente), o que anula a força do “mando de jogo”.

            Em relação aos indicadores de jogo, observa-se que este equilíbrio entre mandantes e visitantes permanece, pois ao se realizar a comparação das médias entre os diversos indicadores de jogo (com o uso do Teste T) não se encontram diferenças estatisticamente significativas. Esses dados podem ser observados na tabela 1.

 

Tabela 1: Dados estatísticos (indicadores de jogo/IJ): geral (G), mandantes (M) e visitantes (V) – 1º. Turno – 2003 – média por jogo

 

ij

pf

Pp

%ap

3c

3t

%3

2c

2t

%2

lc

lt

%l

Ra

Rd

Rt

As

Br

To

Bp

Fa

G

74

159

47

4,6

12,8

37

23,2

50

46

14,1

21,2

69

10

22

32

14

13

3

22

19

M

75

159

47

4,5

13,1

36

23,9

50,1

48

13,7

19,9

70

10

22

32

14

13

3

21

19

V

74

160

46

4,8

12,5

38

22,4

49,9

45

14,5

22,5

67

10

22

32

13

13

3

23

19

 

 

            Esse desequilíbrio entre as equipes fica marcante quando se analisam os dados das equipes que terminaram empatadas em primeiro lugar (Ourinhos, Americana e Santa Maria) em relação às demais (Santo André, São Bernardo e Guarulhos). As diferenças estatisticamente significantes (p < 0.05) se acentuam principalmente em relação ao aproveitamento geral, aproveitamento de arremessos de dois pontos, rebotes de defesa, assistências, bolas perdidas, pontos feitos e aproveitamento geral. Esses dados são demosntrados na tabela 2.

 

 

 

 

Tabela 2: Dados estatísticos (indicadores de jogo/IJ): geral (g), equipes classificadas de 1º. a 3º. (a) e equipes classificadas de 4º. a 6º. (b) – média por jogo

 

Ij

Pf

Pp

%ap

3c

3t

%3

2c

2t

%2

lc

lt

%l

Ra

Rd

Rt

As

Br

To

Bp

Fa

G

74

159

47

4,6

12,8

37

23,2

50

46

14,1

21,2

69

10

22

32

14

13

3

22

19

a

81

162

50

4,7

12,5

39

25,7

50,5

51

15,5

23,7

67

10

23

33

16

14

3

20

19

B

68

157

43

4,6

13,1

35

20,6

49,5

42

12,7

18,7

70

9

20

29

12

12

3

24

19

 

            Uma comparação entre o rendimento das equipes em dois indicadores de jogo importantes (% aproveitamento e total de rebotes) pode ser observada nos dois gráficos a seguir.

 

 

 

 

            Como se percebe, fica evidente a predominância das três equipes melhores classificadas sobre as demais, em relação aos dados estatísticos dos indicadores de jogo. Com esses resultados fica clara a importânciade indicadores de aproveitamento (especialmente nos arremessos de 2 pts) e de posse de bola (rebotes e bolas perdidas), fato já comprovado em outros estudos no basquetebol paulista.

            Deve-se, no entanto, deixar muito claro que os dados estatísticos não devem ser analisados isoladamente, sem que se considere a estrutura técnica e tática das equipes e a situação momentânea da competição. Mas, ao mesmo tempo, não podemos ignorar que as estatísticas de jogo têm sido um instrumento importante para que as equipes possam ter parâmetros de seu desempenho coletivo e também de cada atleta, como também dos adversários. Devemos ainda lembrar que estudos realizados em outros campeonatos no Brasil, mostraram que há uma forte correlação entre o desempenho do conjunto de indicadores de jogo e a classificação final das equipes nesses campeonatos.

            Um fato importante a ser considerado é que, por ser um campeonato disputado em duas etapas - classificatória e finais – estas no sistema de playoffs, este quadro pode ser alterado, pois equipes que, estatisticamente não tenham um bom desempenho na primeira fase, poderão melhorar significativamente na fase final e conseguir vitórias que as levem ao título, contrariando os números apresentados.