INTRODUÇÃO À PREPARAÇÃO FÍSICA

 

Por Clóvis Alberto Franciscon

Especialista em preparação desportiva

Professor da disciplina de treinamento desportivo do UniFMU

Preparador físico da Seleção Brasileira Masculina de basquetebol

Preparador físico de basquetebol do Clube Paulistano

 

 

O basquete exige conhecimentos amplos e integrações contínuas com a preparação física, tática, técnica e psicológica. Quanto mais elevado o nível competitivo no basquete, maior são as exigências na adequação dos conhecimentos, para viabilizar transformações importantes no organismo do atleta, elevando seu estado de performance.

A preparação desportiva no basquete busca atender todo momento às exigências do exercício competitivo, desenvolvendo atividades que potencializam as habilidades individuais do atleta. Nessa conduta, Verkhoshanski (1998) salienta que a preparação de um atleta é um processo multilateral, caracterizado por conteúdos e formas de organização específicos que o transformam em um conjunto também específico de ações sobre a personalidade, sobre o estado funcional e sobre a saúde do atleta, dirigido à sua formação multilateral e, em particular, à aquisição de uma ampla bagagem de conhecimentos, habilidades e capacidades especiais, ao aumento da capacidade de trabalho do seu organismo e a assimilação da técnica dos exercícios desportivos e da arte de competir.   

Embora exista tarefas específicas para elevar o estado de treinabilidade do atleta, qualquer atividade que este realizar terá suas influências fisio-psicológicas. Por tanto, dividir os conteúdos de treinamento, em treino técnico/tático e físico, pode-se induzir ao equívoco de não controlar as influências fisiológicas e intensidades dos exercícios de treinamento. Na prática da preparação desportiva, a divisão deve ocorrer na orientação dos exercícios gerais e específicos.

 

 

 

 


Figura 1: Forma de orientação do exercício no basquetebol.

        A prática de tais conteúdos, sobretudo no basquetebol é uma arte na elevação da performance desportiva, baseando-se no processo da atividade motora competitiva, seu aumento é determinado pela possibilidades fisiológicas do organismo, ou seja, da capacidade de assimilação e reação positiva dos estímulos promovidos pelas tarefas de treinamento e jogos. O controle e graduação da carga de treinamento são indispensáveis para o melhoramento do nível amplo competitivo do desportista.     Respeitando a orientação dos exercícios gerais e específicos, podemos ainda orientar o treinamento, considerando a estrutura funcional do basquete que utiliza atividades individuais e coletivas para a resolução das exigências táticas de jogo.       Estas orientações correspondem a potencialização das capacidades e habilidades individuais, utilizando constantemente força, velocidade, resistência, flexibilidade e suas diferentes formas de manifestações; estas atribuídas como capacidades condicionantes.

No entanto, as capacidades coordenativas também possuem um papel importante nas atividades competitivas do basquete, tanto no aspecto individual como coletivo. De Rose e Tricoli (2005) destacam as seguintes capacidades coordenativas ou psicomotoras: percepção espaço-temporal, seleção imagem-campo, coordenação multimembros, coordenação óculo-manual, destreza manual, estabilidade braço-mão e precisão.

        A adequação da estrutura funcional busca estratégias e compreensão no comportamento técnico e tático, com o intuito de otimizar as ações motoras competitivas.

Estrutura Funcional

 
         

       

 

 

 

 


       

Resultado ótimo de apresentação

 
 


   Figura 2. Correspondência das ações motoras no basquetebol. (Adapatado de Jordane e Martin, 1999).

        A elevação do estado funcional orgânico do atleta, depende de interpretação, adequação, organização e sistematização dos conteúdos que fundamentam a prática da ação motora competitiva no basquete.. As diversas combinações são possíveis, porém, deve prevalecer a lógica e orientação fisiológicas de tais combinações, pois essas dependem da dinâmica especifica para resolver e buscar uma estratégia de comportamento adequado, culminando na otimização da preparação desportiva individual e coletiva da equipe.

       

Bibliografia de apoio

- De Rose Junior, D. e Tricoli, V. (org.) Basquetebol: uma visão integrada entre ciência e prática, Barueri, São Paulo, Ed. Manole, 2005.

- Jordane, F. e Martin, J. Baloncesto – bases para el alto rendimiento, Barcelona, Espana, Editorial Hispano Europea, 1999.

- Verkhoshanski, Y. Gli orizonti di uma teoria e metodologia cientifiche dell'allenamento sportivo, Scuola Dello Sport, Roma, 1998.