INTRODUÇÃO À PREVENÇÃO
O basquete exige um condicionamento físico, técnico
e psicológico adequado para sua plena realização. O estado de saúde compatíveis
para sua prática é primordial, sendo esta de responsabilidade de todos
envolvidos com o basquete. Os recentes acontecimentos no futebol são na verdade
um alerta todos nós
O passo inicial é uma AVALIAÇÃO MÉDICA PRÉ-TEMPORADA. Nas categorias menores, envolve normalmente
o pediatra que cuidou do atleta desde o seu nascimento ou o médico da família. Nas
categorias adultas, atualmente o médico do esporte assume este papel, junto com
o médico do clube.
É
fundamental que todos os atletas realizem periodicamente a avaliação médica.
e que os clubes de maneira geral colaborem para que os atletas possam obter um
acesso cada vez mais rotineiro à medicina esportiva.
Dentro da avaliação médica, o médico
questiona os sinais e sintomas já ocorridos ou não com o atleta, seus
antecedentes pessoais, familiares e esportivos. Em alguns casos, o atleta já refere
alguma afecção (diabetes, alergia a medicações, asma) e é importante que a
equipe tenha ciência desta situação, para que no caso de uma emergência todos
possam estar preparados (técnicos e dirigentes).
Exemplos desta avaliação médica. Há 4 anos durante
avaliação inicial encontramos um atleta com limitação de movimento do braço
dominante ( sinosotose radio-ulnar
), nome difícil, mas incapacitante para a prática do
basquete, conversando com o técnico, ele havia percebido a alteração, mas
achava que o atleta iria se adaptar. No ano seguinte o atleta interrompeu a
atividade.
Outro exemplo que pode ocorrer são atletas com
problemas de pressão alta, hipertensão arterial, normalmente os pais já
apresentam alguma alteração e é necessário um acompanhamento e tratamento com
médico específico, no caso cardiologista ou nefrologista. Atletas com problemas
respiratórios ( bronquite , asma) devem sempre informar a equipe e o
departamento médico do clube para que no caso de uma emergência, o clube poder
fornecer o oxigênio ou a medicação devida.
A realização de exames mais específicos
( teste ergométrico, ecocardiograma) deve ser solicitada
por um médico do esporte ou cardiologista, para que o exame possa ser
interpretado e a seguir ajudar no condicionamento do atleta.
A
prevenção é a meta da medicina esportiva com os atletas. O atleta não deve
ter medo de procurar um médico para ajudá-lo, o tratamento de qualquer problema
clínico ou ortopédico pode melhorar a sua performance na quadra.
Após estas informações iniciais, o longo
das semanas iremos mostrar vários artigos específicos sobre prevenção e
esperamos poder ajudar os amigos do basquete.
EPIDEMIOLOGIA DAS LESÕES ORTOPÉDICAS
O Basquete é um esporte de contato e de impacto,
tal qual handebol e voleibol, apresentando uma incidência elevada de lesões,
seja pelo contato do jogador com a bola, o choque com outro atleta ou isolado,
em um lance de desequilíbrio.
O basquete apresenta diversos movimentos como o
arremesso, o salto, posição de defesa, as corridas com aceleração e
desaceleração, que predispõem a variados mecanismos de lesões nas diversas
articulações, principalmente nos membros inferiores (joelho e tornozelo).
Nos E.U.A., o futebol
americano é o esporte com maior número de lesões, seguido pelo basquete. No
Brasil, o futebol está em 1º lugar,em parte pelo grande número de praticantes e
também por ser um esporte de contato, em 2º lugar estão o basquete e o vôlei.
O risco
de lesão por temporada por jogador no basquetebol é de 49%, enquanto que no futebol americano é de 50.6%.
Um
estudo com categorias menores da Federação de Paulista de Basquete (Andreoli -
1999) as lesões ocorreram em 72,4% durante os treinos, fato este que
acreditamos ser pela proporção desigual de treinos em relação aos jogos (5:1)
durante o ano, mas o risco de um atleta sofrer alguma lesão é maior no jogo. A mesma preparação para o jogo deve
envolver a preparação para um treino.
Quanto à posição do jogador (basquete
masculino), em outro estudo durante o Campeonato Paulista de 2003 e Brasileiro
de 2004, encontramos maior predisposição das lesões musculares nos jogadores da
posição 1 e 2 e dos entorses de tornozelo nas posições 4 e 5.
Os segmentos corpóreos mais afetados no basquete
são o tornozelo, seguido do joelho e das mãos. O entorse de tornozelo é a afecção mais frequente
no basquete e em mulheres essa incidência pode ser muito maior
(mulher-14/1000 e homem-3/1000). Normalmente o entorse ocorre na aterrissagem
de um rebote ou arremesso. As lesões agudas do joelho podem estar envolvidas
com lesões meniscais ou ligamentares
provocando o afastamento muitas vezes de longos períodos e ocasionando
cirurgias para sua recuperação.
As lesões por sobrecarga (esforço repetitivo)
afetam principalmente o joelho e a coluna lombar, principalmente devido aos
saltos repetitivos e à posição de marcação. No joelho quando com categorias
menores até 16, 17 anos, normalmente envolve as chamadas “dores do crescimento”
ou cientificamente falando das osteocondrites, afetando regiões de crescimento do osso. Nas categorias adultas envolvem as
“tendinites” de joelho.
A
incidência de lesões no feminino é 4 a 8 vezes maior do que no masculino, sendo principalmente as lesões de joelho e
tornozelo.Atenção especial à preparação física da atleta mulher deve ser enfatizada,
pois as características musculares e anatômicas predispõe a um maior número de
lesões.
Dr César de Oliveira
Dr Carlos Vicente
Andreoli